Escutismo católico: “JMJ pode ser ponto de viragem para o futuro…”

O Padre Rui Silva, membro do presbitério do Patriarcado de Lisboa, que tem a seu cargo a coordenação da presença dos Escuteiros na JMJ 2013 fala-nos deste novo desafio para o Escutismo internacional.

Como surgiu a nomeação para este cargo internacional de ligação entre o Escutismo Católico e a JMJ do Rio de Janeiro?
A Conferência Internacional Católica do Escutismo (CICE) é um organismo existente no seio da Organização Mundial do Movimento Escutista para promoção do Escutismo Católico, que conta com Associações de cerca de 60 países. Um dos principais objectivos da CICE consiste no estabelecimento de ligação entre a Santa Sé e o Movimento Escutista, o que acontece por via do Conselho Pontifício para os Leigos. Ora, foi solicitado pelo referido conselho que os escuteiros católicos tivessem mais forte e notória presença na próxima JMJ, desejo que a CICE acolheu com alegria e entusiasmo. Sendo eu um dos assistentes eclesiásticos da CICE, tendo a afinidade linguística com os organizadores da próxima JMJ, e tendo já experiência na participação nesse tipo de eventos, foi-me pedido que, conjuntamente com outra pessoa, coordenasse esta participação dos escuteiros católicos.

Quais os principais desafios que se colocam ao movimento escutista para a JMJ 2013?
Esta mobilização não será muito fácil porque os escuteiros têm já inúmeras actividades nacionais e internacionais, e não existe uma forte tradição de participação numericamente expressiva em actividades desta natureza. Talvez este seja um ponto de viragem para o futuro…
Além disso, sendo o Movimento Escutista em geral transversal a todas as religiões, haverá, como é natural, muitos escuteiros para quem este acontecimento não será importante e, nos casos das associações pluri-confessionais, pode não ser fácil a organização interna dos católicos para participar na JMJ. Esse será um forte e importante desafio, mas penso que esses jovens católicos saberão encontrar a melhor forma de o superar.

Como se irão organizar logisticamente os escuteiros?
Estamos neste momento a trabalhar essas questões, mas temos já como certa a articulação com a “União dos Escoteiros do Brasil”, pois eles, melhor que ninguém, saberão dar as sugestões mais adequadas e estabelecer ligação local com os organizadores da JMJ. Estuda-se a possibilidade de, à semelhança do que aconteceu em Madrid, se organizar um acampamento para alojamento dos escuteiros. Pondera-se ainda a hipótese de incluir alguma actividade escutista
no programa geral das JMJ, a criação de um centro de acolhimento e informações para escuteiros e a participação em momentos gerais. Mas tudo isso está ainda em fase de construção.

Em Portugal já há alguma coisa pensada pelo CNE para preparar esta peregrinação internacional?
Ainda não começámos o trabalho de mobilização para esse evento, mas isso vai acontecer muito em breve. O nosso objectivo será o de estimular os escuteiros a participar num encontro deste tipo que, como tantos jovens atestam, é verdadeiramente marcante e inesquecível, na medida em que é um encontro com Jesus Cristo, mas também com a sua Igreja, na pessoa do Santo Padre e de tantos baptizados do mundo inteiro.

Do encontro do passado mês em Roma, traz alguma novidade acerca da maneira como se prevê decorrer a JMJ do Rio?
O Conselho Pontifício para os Leigos convocou-nos para participar num encontro de avaliação da JMJ de Madrid e de lançamento da JMJ do Rio. Nesse encontro pudemos apreciar o notável esforço de comunhão entre todos os agentes de pastoral juvenil, das dioceses, congregações, movimentos e novas comunidades religiosas. O que pudemos perceber foi que existe já um grande empenho da parte das autoridades civis e religiosas do Brasil para que a JMJ atinja os seus melhores objectivos. Talvez como novidade pudesse referir que a habitual semana nas dioceses que antecede as Jornadas será uma “Semana Missionária”, com um programa religioso, cultural e social variado, que penso ser muito interessante.

 

PERFIL
O padre Rui Silva é membro do presbitério do Patriarcado de Lisboa, assistente nacional do Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português (CNE) desde 2007, e assistente eclesiástico da Região Europa-Mediterrâneo da Conferência Internacional Católica do Escutismo (CICE) desde 2010. Actualmente tem ainda a seu cargo a coordenação da presença de Escuteiros da CICE nas Jornadas Mundiais da Juventude que terão lugar no Rio de Janeiro em 2013.


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