Espírito de Taizé viveu-se em Roma

O 35º encontro europeu de Taizé aconteceu entre os dias 28 de Dezembro e 2 de Janeiro, em Roma contando com a participação de mais de 40.000 jovens. Estes encontros ecuménicos entre cristãos de todo o mundo promovidos pela comunidade de Taizé, que se realizam todos os anos, têm sempre como base a oração pela Paz. Para o ano 2013 a proposta que fica é “Desobstruir as fontes da confiança em Deus”, tão bem relacionada com o “Ano da Fé” que se vive.

A experiência da simplicidade

Viver um encontro de Taizé é manifestar a procura de uma relação pessoal com Deus. Quando este encontro acontece na cidade de Pedro e Paulo, dois grandes apóstolos animados pela fé em Cristo, o magnetismo é inegável e por isso as inscrições excederam todas as expectativas. Se construir uma relação pessoal com Deus nos obriga a deixar o que é acessório pelo caminho, focando-nos no essencial, a experiência em Roma revelou-se um exemplo pragmático disso mesmo. Não havendo famílias de acolhimento suficientes, muitas centenas de jovens experimentaram condições muito simples de estadia e mesmo com alguma falta de conforto. Incrível foi verificar que mesmo nessas circunstâncias, a participação nos momentos de oração nunca deixou de ser bela e feliz, enchendo-se as principais basílicas de Roma de espírito de fraternidade.

O nosso grupo (5 portuguesas católicas e 3 alemãs protestantes) teve a graça de ser recebido numa congregação religiosa, vivendo de forma especialmente intensa a experiência do acolhimento, percebendo que é sempre uma partilha de ambas as partes. Se havia a vontade das Irmãs em proporcionar-nos o maior conforto e em responder às nossas necessidades também percebemos a sua alegria ao fazê-las presentes nas nossas orações e em receber as novidades diárias dos encontros.

A simplicidade do espírito de Taizé também se torna viva no exemplo dos Irmãos da comunidade, na proximidade que têm com todos os participantes, na forma como rezam connosco e na sua disponibilidade, sendo particularmente marcante o modo afectuoso que o Irmão Alois (prior de Taizé) tem de agradecer a quem dele se aproxima.

 

Marcos de Fé e Confiança

Da rotina diária de oração, partilhas e workshops, vividos individualmente de diferentes formas existiram também momentos de grupo de grande intensidade. O primeiro foi no dia 29 de Dezembro, na Praça de S. Pedro para a oração com o Papa Bento XVI. Numa praça cheia (45.000 jovens) e com uma intensa aclamação à chegada do Papa, parecia não ser possível a intimidade necessária para a oração. No entanto, foi unânime nos testemunhos que partilhámos durante os dias seguintes, como foi marcante esse momento em que 45.000 pessoas fizeram silêncio e rezaram em unidade com o representante máximo da igreja católica. Penso aliás que foi determinante essa comunhão que se sentiu para se viver ainda com maior interioridade o resto do encontro.

Um segundo momento foi a oração pela Paz na noite de 31 de Dezembro. Foi um privilégio passar o ano em adoração da Cruz, em comunhão com os povos que sofrem. Este momento foi vivido nas paróquias, pelo que as famílias de acolhimento, voluntários e comunidade paroquial se juntaram a todos os participantes nesta oração ao estilo de Taizé. Seguiu-se depois a festa dos povos, onde cada país partilhou algumas das suas tradições.

Com particular significado destaca-se ainda o Encontro dos Portugueses no dia 1 de Janeiro, que contou com a presença do Irmão David e do Cardeal D. João Braz de Aviz que nos deixou o seu testemunho pessoal de fé. As suas palavras, cheias de alegria, foram sobretudo dedicadas à confiança no Amor de Deus e à forma de O amar cada vez melhor, caminho que se inicia ao tentar encontrá-Lo nos irmãos que estão ao nosso lado e que precisam de ser servidos, independentemente das nossas preferências pessoais.

 

Sementes de esperança

No fim desta experiência, cada participante encerra em si uma marca do seu encontro com Deus, à qual poderá dar continuidade, alimentando a semente que ficou no seu coração. Este ano essa semente é também real e poderá nascer tanto no jardim do Vaticano como em qualquer varanda de Lisboa. Sementes de sorgo foram distribuídas por todos e materializam um sinal de esperança, oferta dos jovens cristãos africanos que viveram uma peregrinação de reconciliação e de paz integrada na “Peregrinação de Confiança através da Terra” levada a cabo pela Comunidade de Taizé.

 

Nota: O discurso do Papa Bento XVI aos participantes e as meditações do Irmão Alois ao longo do encontro estão disponíveis em http://www.taize.fr/pt_rubrique495.html.

Filipa Carlos


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