Missão País, em Alcabideche – “Quem reza junto, permanece junto”

A Missão País em Alcabideche decorreu entre os dias 7 e 14 de fevereiro. Durante a pausa escolar, alguns jovens universitários, do ISCTE, “envolveram-se” na comunidade para um tempo de Missão. Publicamos o testemunho do jovem Hugo R. Casanova que se ofereceu como resposta ao “descarte” dos mais velhos.

Esta foi a segunda vez que participei na Missão País – ISCTE. Desde cedo percebi que tinha de me inscrever. Assim, parti uma semana com outros 50 colegas, em missão, para bem perto: Alcabideche. Agora, recém-regressado, tenho a certeza de que o que mais me marcou foi o lugar de missão onde ia todas as tardes com a minha “comunidade” – um dos grupos de cinco pessoas em que se dividem os missionários da Missão País. Era um pequeno lar de idosos que no primeiro dia nos deixou desanimados pois, por mais que falássemos com as pessoas, parecia não conseguirmos sorrisos ou respostas. Nesse lugar, fui percebendo que missionar seria de facto tocar as feridas no coração daquelas pessoas. Vimos a tristeza em que viviam estes idosos abandonados, estes rostos de que a sociedade “já não precisa” e que, nas palavras de um deles, o senhor Celestino: “ficam ali com as moscas” durante todo o dia, à espera de já não esperar, à espera de que a espera acabe. Estas pessoas, se partissem naquele dia, partiriam tristes.

Diria então que, na oração e na partilha dentro do grupo, conseguimos força e percebemos que a nossa missão era fazer todos os possíveis para – ainda que por um instante – aliviar o sofrimento daquelas pessoas levando-lhes a alegria e o amor de Deus, que a nós nos tocava todos os dias. Queríamos, sobretudo, que sentissem que têm valor e que não são “sobras”.

Felizmente a semana é pontuada por orações muito fortes, de manhã e à noite, pela Missa e pelo terço diários, e também pelo acompanhamento de um padre que, com os chefes de oração, nos foi apoiando, desafiando e ensinando. Na Missão País do ISCTE é muito bom poder rezar diante do sacrário, a qualquer hora, na capela criada numa das salas da “nossa casa” – o centro paroquial.

No último dia de missão no lar, vi muitos sorrisos e para além de “sim” e “não”, até a dona Guilhermina, que era sempre muito reservada, me contou a sua história. Todos sentimos que muito tinha mudado durante a semana, percebemos que para estes idosos um abraço valia por mil conversas que pudéssemos ter e a força dos abraços que recebemos de volta, mostrou-nos que temos muito para oferecer aos outros.

A Missão País alegra-me porque eu sei que, como diz o Papa, “somos discípulos missionários” e que a Fé implica um compromisso de missão, que muitas vezes deixo de parte. Por isso, é fantástico haver “chefes” que preparam a Missão País, que nos colocam nas mãos um lugar de missão e nos dão um grande empurrão para a nossa própria conversão.

A alegria e a força das “missões” vêm muito da dinâmica da semana – com o tema da parábola do filho pródigo – e das pessoas que encontramos. Mas não foram só os idosos me marcaram. Entre os missionários há amizades e testemunhos que quero guardar, esperando o que dizíamos muito: “quem reza junto, permanece junto”. Só posso agradecer a Deus e aos chefes gerais, de oração, de serviço e de teatro a graça que estas missões são, em todo o país, na vida dos missionários e nas vidas das pessoas com quem se cruzam.

 

Hugo R. Casanova
19 anos
2º Ano de Arquitectura, ISCTE-IUL


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