Projecto SABI – Antes da missão

Ser instrumento de Deus para os outros

Maria Pia Ornelas e Mafalda Lima são duas jovens envolvidas no projecto SABI que vão partir em missão. Como conheceram este projecto? Quais as dificuldades na preparação e o que esperam da missão? O Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa foi conhecer estas duas jovens que se preparam para sair durante um mês em missão, confiantes de que é aquele local, com aquelas pessoas que Deus escolheu para levarem um pouco da alegria que foram recebendo. Nesta edição do mês de Julho abordaremos, essencialmente, as principais expectativas e aguardamos pelo mês de Setembro para termos um testemunho de como foi vivido um mês em missão, uma em Portugal e outra em São Tomé e Príncipe.

  

Maria Pia Ornelas: missão em São Tomé e Príncipe

Espero marcar a vida de algumas pessoas, levando um pouco de alegria

Natural da Ilha Terceira, Açores / 22 anos / Animadora Sócio-cultural

 

Como conheceste o projecto SABI?

Conheci o SABI, em primeiro lugar, através de duas voluntárias que me falaram acerca do projecto. Mais tarde fiquei a conhecê-lo melhor através do dia do voluntariado missionário que decorreu na paróquia. Nesse dia existiam vários grupos representados mas foi por anteriormente me terem falado deste projecto que, aliando à vontade de fazer voluntariado lá fora, decidi fazer um caminho de preparação.

 

Como é que te sentiste convocada para esta missão?

Há muito tempo que sentia falta de fazer alguma coisa deste âmbito. Sentia que a Igreja dava-me muito e estava na altura de ser eu a servir a Igreja fazendo o que Deus quer. Tive uma experiência anterior de voluntariado na ilha Terceira antes de vir estudar para o continente. A dificuldade de integração em Lisboa levou-me a não alimentar esta semente durante algum tempo. Entretanto, conheci o projecto SABI e decidi ser esta a altura certa de não ficar só pela expectativa de gostar de fazer alguma coisa mas pôr mãos à obra.

 

Como foram vividos os sete meses de formação?

Desde a primeira reunião que fiquei sempre inquieta para que chegasse a reunião seguinte. Foi a partir do primeiro campo de trabalho que me apercebi melhor da dimensão do projecto, baseado em quatro pilares com os quais me procurei identificar: “Eu; Tu; Nós; Ele”.

 

A formação confirmou esta missão? Houve incertezas?

Essencialmente, ajudaram-me a ter maior confiança, mas confesso que nestes últimos dias, depois de saber onde iria fazer a missão, colocaram-se muitas dúvidas. Será que sou capaz? – pergunto frequentemente. Um dos maiores medos é de não conseguir fazer o que Deus quer que eu faça.

 

Como é que a família aceitou esta notícia?

O mais complicado foi quando souberam que não iria aos Açores nestas férias de Verão e o facto de só estar com a minha mãe no Natal. Mas a família aceitou, confiantes da minha decisão e não foram egoístas. Sinto que pensaram na importância que o projecto engloba e que ele tem para mim.

Mas esta é uma caminhada que tem sido partilhada pela minha irmã gémea e por isso, será também muito importante sentir a presença dela neste tempo que se aproxima em São Tomé e Príncipe.

 

Nesta caminhada quais foram os grandes obstáculos?

Talvez o medo de ter que me abrir ao grupo. Mas lembro-me da música ‘Tens de dar um pouco mais’ e sinto que consegui dar mais de mim e aceitar as coisas que agora Deus quer para mim.

 

O que esperas desta missão?

Espero não desiludir Deus. Sei que não mudarei o mundo em São Tomé e Príncipe mas espero marcar a vida de algumas pessoas, levando um pouco de alegria, a mesma que fui recebendo aqui. Espero ser uma ferramenta de Deus para todos. Sinto que este é um sonho realizado e idealizado por Ele e também muito aguardado por mim.

 

 

Mafalda Lima: missão na Casa de Saúde Mental do Telhal, Sintra

Tenho a confiança de que tudo irá correr bem, por mais dúvidas que tenha

 

Natural de Mirandela / 25 anos / Consultora

 

Sendo este o terceiro ano em que fazes parte deste projecto ainda te recordas de como o conheceste?

Em 2008 vim trabalhar para Lisboa e tive a graça de ficar a morar perto da paróquia do Parque das Nações, não conhecendo ninguém. Um ano mais tarde, no final da Missa, fizeram um anúncio com um convite para a criação de um projecto de voluntariado para jovens. Nesse momento senti vontade de conhecer um pouco mais, até porque não tinha ainda tido coragem de ter uma experiência semelhante. Após a apresentação do projecto fiquei com muita vontade em fazer parte.

 

Como tem crescido a confirmação da tua vocação para esta missão?

Mantém-se desde o primeiro ano uma grande vontade de estar ao serviço de Deus e dos outros. De ano para ano fui crescendo ao lado dos voluntários que comigo fazem a mesma caminhada e confirmei que a missão fazia todo o sentido na minha vida. Percebi até que não precisamos de ir um mês para fora do país para cumprirmos esta missão de sermos missionários. A convocação para a missão é sobretudo estar ao serviço, sendo instrumento de Deus onde Ele quer que eu esteja.

 

Como foram os três anos de formação?

Temos amadurecido muito em certos pontos, nomeadamente na forma como abordamos os temas ou pensamos as actividades. Fazendo parte da organização, tenho sentido um crescimento na forma como aprofundamos os temas e actividades. Este ano, por exemplo, abordámos temas que não tínhamos abordado anteriormente. Lembro-me de um deles em que falámos sobre o ‘amor’ e sinto que nos tocou a todos de forma muito especial.

 

A formação confirmou esta missão?

Ajudou-me sobretudo a sentir-me segura e a perceber onde é que sou chamada a servir. É claro que tenho alguns receios, sobretudo pelo projecto deste ano. Sei que vou estar com pessoas idosas e com algumas doenças e não me sinto muito confortável. E o medo de saber como hei-de ou não de agir, o que posso ou não devo dizer ou fazer… Mas acho que se Deus me colocou nesta missão foi por algum motivo. Se este grupo foi enviado para esta casa de saúde, sabemos que é lá o nosso papel. É lá onde Deus nos chama!

 

Sentiste dificuldades na preparação?

Este ano o mais difícil foi conjugar o meu trabalho com o projecto SABI. Desde que entrei para o projecto sinto que vivo muito da sua filosofia. Passei a viver algumas coisas de maneira diferente mas sinto que por vezes o ‘corre-corre’ diário me desfoca um pouco do essencial.

 

Foi fácil dizer à família que irias um mês em missão?

Senti sempre bastante apoio para acolher este chamamento e dizer que ‘sim’ a esta missão. No primeiro ano custou mais aos meus pais o facto de estarem um mês sem me verem, mas perceberam que para mim o facto de partir pela primeira vez em missão era a grande novidade e aceitaram bem. No segundo ano o que pesou mais foi o meu irmão ir trabalhar para fora de Portugal e eu não me conseguir despedir dele, mas apesar de tudo tive sempre uma grande compreensão e um apoio total da parte de toda a família.

 

O que esperas desta missão?

Sinceramente não sei bem o que posso esperar mas depois deste tempo de formação tenho a confiança de que tudo irá correr bem, por mais dúvidas que tenha. Já passei um dia na Casa de Saúde Mental do Telhal, em Sintra, onde aprendi a respeitar mais a condição de cada um e estou, por isso, confiante de que dali poderei retirar um série de lições só com o exemplo que eles nos dão. Vou inteiramente disponível para receber e para dar, através da entrega aos outros.

 

 

Como nasceu o Projecto SABI

O Projecto SABI nasceu em Dezembro de 2009, através da NAVEGAR – Associação Humanitária para a Cooperação e Desenvolvimento, que está sediada na paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes do Parque das Nações. É um desafio colocado a jovens dos 18 aos 30 anos que pretendam realizar uma experiência de voluntariado missionário, junto de populações desfavorecidas. Fruto da geminação paroquial entre as paróquias de Nossa Senhora dos Navegantes e Santana, em São Tomé e Príncipe, o Projecto SABI procura também dar resposta a necessidades identificadas em São Tomé e Príncipe e em algumas comunidades e instituições em Portugal. Ao longo dos últimos 2 anos (2010 e 2011), aqueles que aceitaram e fizeram parte deste desafio percorreram uma caminhada de formação, com o intuito de se prepararem para a realidade que iriam encontrar em missão. Nestes anos, foram realizados vários tipos de actividades, estando em contacto com diversas comunidades e tendo partido para missão, nos meses de Agosto, 16 jovens para São Tomé (Santana e Água Izé) e outros 16 para Portugal (Gradil e Sabóia).

Etapas

A proposta de caminhada de formação/preparação está dividida em três grandes áreas: geral (aquisição de conhecimentos gerais sobre voluntariado e algumas competências técnicas que serão importantes para o trabalho de campo nas missões); espiritual (caminhada espiritual de preparação para a vertente missionária do projecto, incluindo a realização de dois retiros); e campos de trabalho e sábados SABI (contacto com a realidade a encontrar em projecto). Para além destas actividades, ocorrem quinzenalmente reuniões de formação onde são trabalhadas algumas temáticas mais específicas.

No terreno

O crescimento que se tem verificado a nível do Projecto do SABI tem também sido reflectido nos projectos de Verão. No ano de 2011, foram realizados quatro projectos em Portugal (Casa Mãe do Gradil e Comunidade de Sabóia, em Santa Clara, Pereiras e Luzianes) e em São Tomé e Príncipe (Santana e Água Izé). O projecto no terreno centra-se em três áreas de actuação: educativa (apoio escolar, explicações, curso de férias); pastoral (trabalho pastoral com crianças, escuteiros e grupo de jovens, formação a adultos, animação eucarística); e social (trabalho comunitário em roças/bairros sociais, apoio a idosos, formação técnica a adultos, actividades com crianças e jovens).

2012 – formação e projectos…

O ano de 2012 trouxe um crescimento no número de jovens que pertencem ao Projecto SABI. A caminhada foi marcada pela presença em algumas instituições como as Aldeias de Crianças SOS, o Lar das Irmãzinhas dos Pobres ou a Casa de Saúde do Telhal, mas também por momentos de grupo e de descoberta de fé nos dois retiros realizados no Alentejo e Mouchão da Casa Branca – Azambuja.


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