‘RIOnidos em Cristo’ juntou mais de 300 jovens das dioceses de Lisboa e Setúbal

As duas margens uniram-se por Ele. No passado sábado, 18 de julho, o rio Tejo juntou mais de 300 jovens oriundos das dioceses de Lisboa e Setúbal. A atividade ‘RIOnidos em Cristo’ contou com um tempo de missão, pelas ruas da Baixa da capital, a travessia do rio Tejo e culminou com uma Missa no Cristo Rei, em Almada, celebrada pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa.

texto por Clara Nogueira

 

O sol ia alto e o dia quente. O encanto e mistério da igreja de São Domingos tinham, naquele início de tarde, uma cor diferente. Vindos de muitos pontos das dioceses de Lisboa e Setúbal, os mais de 300 jovens vestiam camisolas coloridas e, de sorrisos abertos, sentavam-se para escutar. Era o ponto de partida para um dia que acabaria do outro lado do rio, lá em cima, junto ao Cristo Rei.
Partindo da Carta de São Paulo aos Efésios, Juan Ambrósio, teólogo e professor na Universidade Católica, ajudou a pensar a unidade a que Cristo convida. “Facilmente podemos entender a unidade como algo que nos ajuda a protegermo-nos, a mantermo-nos unidos em relação a todos os outros que não são cristãos. A unidade que nos é sugerida neste texto não é uma unidade de defesa. Pelo contrário, é uma unidade de ação, para que todos juntos possamos fazer chegar a todos os outros aquilo que é a proposta de Deus”, explicou, apontando, como primeiro passo, o deixar o próprio coração ser evangelizado: “O teu coração sabe que a vida não é a mesma coisa sem Jesus Cristo, até porque não chega dizer que acreditamos em Jesus Cristo. Ter fé é acreditar como Cristo e com Cristo”.
Numa alusão às duas margens do rio Tejo, que neste encontro ficaram unidas pela comunhão dos jovens, Juan Ambrósio lembrou ainda que “Jesus também estabelecia a ponte entre duas margens: Deus e a Humanidade, e une-nos para que todos possamos ser esta ponte que une as duas margens”. Para este professor, é necessária uma mudança: “Precisamos urgentemente de construir uma nova história, precisamos de uma mudança redentora. É tempo de passar de uma globalização da exclusão e da indiferença para uma globalização da partilha e da esperança”. Desta forma, ao concluir este primeiro encontro, ficava lançado o desafio para o resto do dia que se queria “diferente”. “São duas margens que permanecerão separadas se não fizermos nada. Precisamos de uni-las”, apontou Juan Ambrósio.

‘Cristo envia’
Era tempo de partir de São Domingos, porque ‘Cristo envia’. Alegria e cânticos eram entoados pelas ruas da capital, sem esquecer o desafio lançado: levar Cristo aos outros. Em gestos discretos mas certeiros, um e outro jovem iam entregando pagelas, em português e inglês, aos que passavam na rua. A mensagem era simples, mas procurar tocar: “O meu coração sabe que a vida não é a mesma coisa sem Ele! E o teu?”.
Depois de uma animada travessia de barco, que até teve direito a confissões a bordo, a alegria voltou a andar pelas ruas. Desde Cacilhas, até à igreja de Almada, cantou-se e rezou-se a céu aberto. Sempre com um sorriso na cara mas sem esquecer a seriedade que se exige de um cristão comprometido. Até porque, naquele momento, do outro lado do mundo, e como tanto se lembrou no início da caminhada, havia “cristãos a morrer pelo nome de Jesus”.

‘Um Deus que desafia’
Já na igreja de Almada, era agora tempo de compreender qual o desafio de Deus. Vítor Carmona, pai de família e com um vasto currículo de experiência com jovens, lembrava a confiança duvidosa de muitos cristãos. “Nós temos a certeza que a resposta certa é que queremos fazer a vontade de Deus. Mas só se isso for compatível com a minha vontade”, alertou Vítor, apontando a confiança a que Cristo sempre chama e que dispensa certezas: “Quanto mais certos estivermos, menos temos que confiar, menos arriscamos, menos temos que ousar. Se nós tivermos a certeza daquilo que Deus quer de nós, é preciso ter cuidado porque pode ser exatamente o contrário”, observou. “Deus espera um ‘sim’ sem condições”, até porque “o desafio é total e tem uma única garantia: Deus não falha”. “Quanto mais fizermos as coisas com a convicção de que somos instrumentos, mais os outros olham para nós como voz de Deus, como gesto de Deus, como sinal do seu amor e instrumento da sua vontade”, explicou Vítor Carmona.

Cristo de braços abertos
Com esta certeza, foi tempo de retomar a caminhada. Sempre a subir, até ao destino final: o Cristo Rei, de braços abertos para receber quem chega. Mas agora o caminho fez-se com uma companhia especial. Ao lado da cruz que guiava a multidão, D. Manuel Clemente juntou-se às centenas de jovens que subiam, entoando cânticos. Esta caminhada “simboliza a Igreja, porque a Igreja é o povo em marcha. É importante que, de um lado e de outro do rio Tejo, em especial os nossos jovens, tenham esta catequese, ao vivo, sobre o que hão de ser no mundo”, afirmou o Cardeal-Patriarca.
Já no Cristo Rei, numa tenda anexa ao monumento, a Eucaristia foi presidida por D. Manuel Clemente e concelebrada por D. Gilberto dos Reis, Bispo de Setúbal, e por diversos sacerdotes das duas dioceses. Na sua homilia, o Cardeal-Patriarca de Lisboa tornou presente a comemoração dos 40 anos da criação da Diocese de Setúbal e apelou à comunhão. “Se Deus nos reúne, é para sermos um factor de unidade. Nós temos espírito de Jesus Cristo, que é maior do que o nosso egoísmo”, frisou. D. Manuel Clemente advertiu, carinhosamente, os jovens: “Olhem que o egoísmo não passa com a idade, passa com a graça de Deus”.
O dia ia terminando, e o sol punha-se atrás de Lisboa. Entre fotografias e conversas, a banda ‘Luz Jovem’, da Diocese de Setúbal, dava os últimos acordes ao ‘RIOnidos em Cristo’. E quando o céu já estava escuro, foi tempo de voltar. Com confiança e uma certeza: daquele dia em diante, enquanto houver pontes, o rio nunca separará.

 


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