Taizé – Juntos, confiando em Deus

Nos últimos dias do ano de 2011, milhares de jovens peregrinaram até Berlim para a 34ª etapa da «Peregrinação de Confiança» animada pela Comunidade de Taizé. Muitos partiram à procura de algo concreto, de um encontro particular e muito específico, outros num total desconhecimento e incerteza mas como sempre, é Deus que toma a iniciativa de surpreender e ir ao encontro dos que O procuram. Quando celebramos a semana de oração pela unidade dos cristãos, o Serviço da Juventude partilha alguns testemunhos da paróquia de São Julião da Barra que viveram este encontro europeu, em Berlim.

 

Era impossível deixar alguém indiferente

Apenas quatro meses depois de regressarmos de Madrid já estávamos nós rumo à bela cidade de Berlim. Este padre Nuno (Pároco de São Julião da Barra) nem nos deixa descansar! Ainda estávamos nós a recuperar dessa inesquecível experiência e já andávamos a vender os tão famosos bolos aos nossos espetaculares paroquianos. Dia 28 de Dezembro foi o dia da tão esperada partida. Foi um longo dia pois duas viagens de avião ainda cansam um bocadinho, mas ainda houve tempo para algumas surpresas. Durante o primeiro voo tivemos a oportunidade de ver como era o cockpit do avião e depois quando já todos se preparavam para a descida recebemos uma informação de que dois de nós iam ter a oportunidade de aterrar no cockpit. Já no encontro o nosso grupo, infelizmente, teve de se dividir por duas paróquias distintas. O meu grupo teve a sorte de ir para a comunidade católica portuguesa. Fomos acolhidos de uma forma fantástica, as pessoas de lá sentiam uma enorme felicidade por ver que o seu país estava ali representado. E de que maneira! Ao longo de todo o encontro senti uma felicidade imensa por sentir que estávamos a trazer alegria à vida daquelas pessoas. Este encontro foi muito marcado pela espiritualidade, pela oração, pela reflexão. Todos os dias realizavam-se 3 orações. Em todas elas existia um ambiente incrível, um sossego enorme, toda a gente cantava nas diferentes línguas sem medo nem vergonha, a presença de Cristo fazia-se sentir de uma forma tão forte e tão intensa que era impossível deixar alguém indiferente, deixar alguém imune ao amor que Ele tem por nós. O momento alto do encontro foi a passagem de ano, toda a festa que nós portugueses fizemos, toda a alegria que espalhamos pelas paróquias, a oração das velas foi inesquecível. Se já tínhamos sentido a presença de Deus em todas as outras orações, nesta sentimo-lo a chamar por cada um de nós, sentimo-lo a tocar bem fundo nos nossos corações, este foi sem duvida um momento inesquecível para todos nós, um momento e um encontro que deixaram uma marca profunda em todos nós, uma marca que nunca será apagada.

Pedro Robalo

 

Tinha ido à procura da confiança em Deus

A proposta estava feita. Passar a noite de Ano Novo com mais de 30.000 jovens, vindos de toda a Europa, a rezar pela paz era um desafio aliciante. Estaria eu à altura de o aceitar? Pensei, pensei, pensei… Disse SIM. E lá fui eu até Berlim, sem saber muito bem o que esperar, com algumas dúvidas e hesitações. Logo na primeira oração a que assisti, a reflexão feita por um irmão de Taizé dizia que a confiança em Deus vence as barreiras invencíveis. A partir desse momento percebi o que estava ali a fazer. Tinha ido à procura de confiança em Deus, algo que achamos tão fácil de adquirir, mas que no fundo é difícil de ter, principalmente nos momentos mais complicados da nossa vida, quando esta dá voltas inesperadas. Durante seis magníficos dias senti que entrei em profunda comunhão com Deus. Senti-me protegida e acarinhada no seu colo. Cada segundo foi vivido intensamente, na companhia de pessoas fantásticas, sempre disponíveis, preocupadas e com um enorme sorriso na cara. Não é fácil referir um só momento que me tenha marcado, porque foram muitos, cada um à sua maneira. Mas recordo, com um brilho especial no olhar, as diversas orações comunitárias. Estar ali, sentada no chão, e sentir um força infinitamente grande ao cantar com todos os outros jovens, foi muito compensador e fez com que a minha alma se enchesse de força. Depois os momentos de silêncio: fechar os olhos, falar com Deus; estar à vontade, desabafar, rir, chorar, ouvir o meu coração. Era como se estivesse numa sala sozinha com Ele, mas assim que abria os olhos, via que não estava só, sentindo a presença de muitos jovens no mundo que partilham o mesmo ideal. Na última oração entendi tudo o que vivi durante esta experiência de fé. Ao acender a minha vela, e ao passar a chama aos que estavam ao meu lado, percebi que esta era a luz da confiança em Deus. Estava acesa porque eu tinha encontrado o que procurava. Apesar de todos os desafios, imprevistos, sacrifícios, Deus mostrou-me que estava sempre ao meu lado e que eu poderia confiar sempre n’Ele. Neste Encontro Europeu de Taizé fui feliz! Tive oportunidade de rezar, refletir, partilhar, crescer, confiar, aprofundar a minha relação com Deus e com os outros. Foi uma experiência marcante, que jamais esquecerei. Hoje tenho a certeza de que tudo valeu a pena. Obrigada a todos os que viveram esta peregrinação comigo e a todos os que ajudaram à sua realização.

Helena Chaveiro

 

Na minha vida devia ter mais momentos de paragem (tal como em Berlim)

Este foi o meu primeiro Encontro Europeu de Taizé. No entanto, apesar das inseguranças que levava e das dúvidas sobre o que eu iria viver em Berlim, estas foram desaparecendo ao longo do primeiro dia. O facto de estarmos todos em grupo e saber que iríamos conviver com outros jovens neste encontro, todos com o mesmo propósito (fé e comunhão com Deus), ajudou-me a estar mais tranquila e assim, aproveitar melhor os momentos lá vividos. Todos os dias participávamos em três orações. Estes foram momentos de reflexão e de paragem onde cada um de nós aproveitava para ter o seu “tempinho” a sós com Deus. Principalmente na oração da noite, vivíamos estes momentos mais intensamente, pois para mim era a altura onde podia refletir não só sobre o que tinha acontecido naquele dia, mas também sobre o meu caminho na vida cristã. Numa dessas orações da noite, o Pe. Nuno convidou-nos a ir para junto da cruz e assim, tal como todos os outros jovens que lá estavam, aproveitar para rezar e também agradecer a todas as pessoas que tornaram possível a nossa ida a Berlim. Assim, atrevo-me a dizer que a participação neste encontro ajudou-me a perceber que na minha vida devia ter mais momentos de paragem (tal como em Berlim) e assim, refletir sobre o meu caminho enquanto cristã.

Maria Silva

 

Meditações do irmão Alois durante o encontro

Assumir o risco da confiança é algo que não podemos fazer sozinhos. Precisamos de ser ajudados pelos outros; de nos sentirmos aceites e amados. Só assim, podemos assumir mais livremente as decisões importantes da nossa vida.

Os muros não existem apenas entre povos e continentes, mas também mesmo ao nosso lado, e até no coração do homem. Então, para derrubar estes muros, procuramos durante estes dias, retomar um novo alento com base nas fontes da confiança.

Para acolher a presença de Deus em nós, não somos deixados unicamente ao sabor dos nossos sentimentos. Deus apela à nossa capacidade, mesmo muito pequena, de ter confiança.

É como uma chama de solidariedade que não podemos guardar apenas para nós. Ela crescerá, de regresso às nossas casas, na medida em que a partilharmos com os outros.

 


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