Terça.com Caridade e Serviço

Uma nova proposta para os jovens da Diocese de Lisboa

No passado mês, os habituais encontros de jovens “terça.com” tiveram um momento especial. A proposta foi dedicar um dia aos que estão mais afastados, àqueles a quem o Papa Francisco apelidou de convidados VIP da Igreja. A Ana Margarida, conta-nos como foi viver este dia.

“Porque não?” Foi o que pensei quando vi o convite para a Terça.com Caridade e Serviço que se iria realizar no dia 29 de Outubro, na Casa de Saúde do Telhal. Já tinha participado em outras Terça.com, mas este novo modelo foi uma novidade para mim.
Ao fim de um dia de faculdade encontrei-me com mais 10 jovens que, tal como eu, aceitaram o desafio. O Sr. Fernando, um dos dois assistentes espirituais da Casa de Saúde, recebeu-nos com um enorme sorriso que preenchia qualquer pessoa que ali chegasse e explicou-nos um pouco da história e serviço prestado pela instituição. Seguidamente deu-nos uns quantos conselhos práticos (e não só) para quando estivéssemos em contato com os doentes. O conselho que mais me impressionou foi o de sermos verdadeiros com as pessoas com quem íamos contactar e para não aceitarmos tudo por parte delas pelo simples facto de serem doentes, porque aquelas pessoas também são verdadeiras connosco, ou seja, se gostarem de nós mostram-no entusiasticamente mas se não gostarem da conversa não hesitam em verbalizar isso mesmo e deixar-nos ali a falar sozinhos.
Munidos destes preciosos conselhos fomos divididos, em grupos de dois ou três elementos, pelas unidades de Psicogeriatria, Santo António, Santo Agostinho e São Rafael.
Assim que cheguei à unidade de Santo António fui recebida, sem reservas, por um utente que me abraçou energicamente e me perguntou o nome. A unidade de Santo António é uma unidade de internamento de longa duração, onde se encontra quem tem uma doença ou deficiência psiquiátrica grave e, em alguns casos, com dificuldades em realizar muitas das suas atividades diárias. Ali há pessoas que fazem da Casa de Saúde do Telhal a sua casa há mais de 20 anos!
Conversámos um pouco com quem ia passando e nos abordava, mas o tempo não foi muito para conversar. Como estávamos próximos da hora do jantar, encaminhámo-nos para o refeitório. Ajudámos, em conjunto com os utentes, a pôr as mesas e a distribuir a refeição – uma tarefa difícil, uma vez, que estávamos sempre a ser chamados para conversar. Foi-nos pedido se podíamos ajudar a dar o jantar a quem tinha dificuldades. Com eles fizemos as limpezas ao refeitório e à sala de estar no final da refeição. Alguns prontamente perguntaram-me: “Então quando é que voltas?”, respondi, com alguma tristeza, que não sabia. A verdade, é que fiquei com vontade de voltar. Talvez seja um desejo um pouco egoísta porque, no fim de contas, sinto que demos muito pouco (só tivemos a conversar e a ajudar com as refeições e limpezas…) e que recebemos muito! Pelo menos eu recebi! Aqueles que lá encontrei são pessoas que necessitam de afeto, que ficam felizes apenas com a nossa visita e com o nosso sorriso, que se dão completamente naquilo que são e que apenas nos pedem isso mesmo, que nos dêmos verdadeiramente sem barreiras, sem estigmas, trazendo para a relação com eles tudo aquilo que somos, tanto o bom como o mau.
Muitos dos frutos desta experiência ainda não os conheço, mas sei que gostaria de lá voltar.

Terça.com – o que é?


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